6# MEDICINA E BEM-ESTAR 29.1.14

     6#1 UM CHOQUE CONTRA A DEPRESSO
     6#2 NO ADOEA NOS FINS DE SEMANA

6#1 UM CHOQUE CONTRA A DEPRESSO
Pesquisadores brasileiros testam pela primeira vez no Pas mtodo que consiste na aplicao de leves estmulos eltricos na face e constatam sua eficcia na reduo dos sintomas da doena
Cilene Pereira

Mdicos da Santa Casa de Misericrdia de So Paulo esto testando, pela primeira vez no Pas, um mtodo inovador contra a depresso. Chamada de estimulao do nervo trigmeo, a tcnica j foi aplicada em 11 pacientes. Um ainda est em tratamento, mas o restante j o finalizou. Desses, todos relataram uma reduo de pelo menos 50% na intensidade dos sintomas da enfermidade  entre eles a vontade de chorar e pensamentos suicidas. Hoje me sinto outra pessoa, com disposio para viver. O tratamento foi uma revoluo na minha vida, atesta a funcionria pblica Ivone Lopes, 55 anos, uma das pessoas submetidas  tcnica.

AVANO - Responsvel pela experincia, Pedro vai ampliar o nmero de pacientes a serem testados

O mtodo consiste na aplicao de estmulos eltricos sobre um dos ramos do nervo trigmeo, presente na face. O canal nervoso mantm conexes com reas cerebrais associadas  doena. Dessa forma, conduz os sinais eltricos at elas, o que promove a restaurao do equilbrio da atividade eltrica do local. Esse rearranjo interfere no mecanismo responsvel pela doena, da a diminuio de seus sintomas.

A estratgia vinha sendo estudada na Universidade da Califrnia (Ucla), nos Estados Unidos. Neste ms, o grupo que l conduz os experimentos publicou uma atualizao de seus achados na revista cientfica Neurosurgery Clinics of North America. Novamente, eles concluram que os pacientes  a maioria portadora da forma grave ou moderada da enfermidade  demonstraram melhora significativa. 
 Os participantes no deixaram de tomar antidepressivos. Mas, com a evoluo do tratamento, diminuram consideravelmente sua utilizao. No futuro, a ideia  que a estimulao substitua a medicao na maioria dos casos ou que pelo menos a reduza  menor quantidade possvel.

Tanto os brasileiros quanto os americanos se preparam para ampliar as pesquisas. Por aqui, a meta  iniciar em breve um novo teste, dessa vez com 40 pacientes. Eles tambm faro dez sesses, diariamente, e depois passaremos para aplicaes quinzenais, informa o psiquiatra Pedro Shiozawa, coordenador do laboratrio de Neuromodulao da Santa Casa e responsvel pela pesquisa. E eles sero acompanhados por seis meses, completa. O especialista est  procura de voluntrios. Nos EUA, as investigaes continuam, enquanto a Neurosigma, empresa que patenteou o sistema, trabalha para obter sua liberao em vrios pases. J est em uso no Canad e nos pases da Unio Europeia, contou  ISTO Ian Cook, da Ucla e pioneiro no estudo da tcnica. 

Eletrodos na coluna para tratar Parkinson 
Pesquisadores da Duke University, nos Estados Unidos, e do Instituto de Neurocincias de Natal acabam de comprovar que o uso de estmulos eltricos  eficaz contra os sintomas da doena de Parkinson. O experimento, feito com ratos, consistiu no implante de eletrodos na medula espinhal conectados a um gerador porttil para desfechar sinais eltricos nessa estrutura. Aps seis semanas de terapia, os cientistas concluram que o mtodo melhorou a coordenao motora e ajudou a reverter a perda de peso associada  evoluo da doena. Testes anteriores haviam demonstrado essa ao apenas por perodos breves. Precisamos de opes de longo prazo. A estimulao da medula espinhal tem esse potencial, disse o cientista brasileiro Miguel Nicolelis, que liderou a pesquisa, publicada na semana passada na edio online da revista Scientific Reports.


6#2 NO ADOEA NOS FINS DE SEMANA
Pesquisas apontam que o risco de complicaes e mortes aps atendimentos s sextas-feiras, sbados e domingos  muito maior do que nos outros dias
Mnica Tarantino

Os piores dias para ser submetido a uma cirurgia ou receber atendimento nos hospitais so as sextas-feiras, os sbados e os domingos.  o que revelam estudos realizados ao redor do mundo com o objetivo de aferir os perodos de maior risco para os indivduos. O mais recente, feito por pesquisadores da Clnica Mayo (EUA), foi divulgado na semana passada. Eles fizeram uma reviso de 48 pesquisas executadas em vrios pases e que envolveram 1,8 milho de participantes. Dessa anlise, concluram que no grupo de pacientes com infarto admitidos  noite ou nos fins de semana a mortalidade foi 5% maior em comparao com os atendidos durante a semana nos horrios regulares.

CUIDADO - O mdico Tiago defende o investimento em treinamento para evitar erros

Recentemente, estudiosos do Imperial College de Londres, na Inglaterra, constataram que pessoas submetidas a operaes programadas entre sexta-feira e domingo tm maiores chances de morrer at 30 dias aps o procedimento do que as operadas ao longo da semana. Os autores do estudo analisaram quatro milhes de operaes executadas pelo servio pblico de sade britnico entre 2008 e 2011. Na sexta-feira, o paciente tem 44% mais chances de morrer do que se for operado na segunda-feira. Aos sbados e domingos, os riscos de morrer so 82% maiores, afirmou Paul Aylin, principal autor do levantamento. No Massachusetts General Hospital, em Boston, descobriu-se que as infeces ps-operatrias so 50% mais frequentes em pacientes com colite ulcerativa operados emergencialmente no fim de semana.

Uma das principais causas do problema, na opinio dos pesquisadores,  a menor disponibilidade de funcionrios, de recursos e de centros diagnsticos de sexta a domingo.Nesses perodos h menos profissionais de nvel snior e menor disponibilidade de servios de diagnstico, disse Paul Aylin  ISTO. No Brasil, o mdico Tiago Dal Molin, que h oito anos chefia o pronto-atendimento de hospitais pblicos e privados, enxerga diferenas no atendimento dado de dia e de noite e de acordo com os dias da semana. A rotina do hospital  mais gil durante o dia, diz. Em geral, os plantonistas da noite e de fim de semana no esto bem inteirados dos protocolos de atendimento, o que pode levar  demora na tomada de deciso e falhas no cuidado, afirma.  necessrio investir em treinamento para diminuir os riscos apontados pelos trabalhos.

